terça-feira, 15 de julho de 2008

um Brasil que dá certo

Juiz Odilon de Oliveira, uma história exemplar neste Brasil nada exemplar
Juiz Odilon de Oliveira Trabalhando há um ano em Ponta Porã (MS), na fronteira com Paraguai, o juiz de direito Odilon de Oliveira já condenou 114 traficantes. À noite, ele estende o colchonete no chão da sala onde fica seu gabinete, puxa um edredom e dorme ali mesmo. No fórum da cidade, sete agentes da Polícia Federal, fortemente armados, dão segurança permanente ao juiz que está condenado à morte pelo crime organizado. O juiz vive confinado no fórum, só sai quando é extremamente necessário, e ainda assim sob forte escolta.Em um ano, o juiz Odilon de Oliveira condenou 114 traficantes a penas que, somadas, atingem 919 anos e seis meses de cadeia, e ainda confiscou os bens de todos eles. O resultado dessa cruzada é que ele também perdeu a liberdade, assim como seus condenados.Diz o juiz exemplar: "A única diferença é que tenho a chave da minha prisão". Traficantes brasileiros que agem no Paraguai estão dispostos a pagar US$ 300 mil para quem matar o juiz. Desde junho do ano passado, quando o juiz Odilon de Oliveira assumiu a vara de Ponta Porã, porta de entrada da cocaína e da maconha distribuídas em grande parte do País, as organizações criminosas tiveram muitas baixas. Nos últimos 12 meses, sua vara foi a que mais condenou traficantes no País. Oliveira confiscou ainda 12 fazendas, em um total de 12.832 hectares, 3 mansões (uma delas, em Ponta Porã, avaliada em R$ 5,8 milhões), 3 apartamentos, 3 casas, dezenas de veículos e 3 aviões, tudo comprado com dinheiro das drogas. Por meio de telefonemas, cartas anônimas e avisos mandados por presos, Oliveira soube que estavam dispostos a comprar sua morte. Diz ele: "Os agentes descobriram planos para me matar, inicialmente com oferta de US$ 100mil". No dia 26 de junho, o jornal paraguaio La Nación informou que a cotação do juiz no mercado do crime encomendado havia subido para US$ 300 mil. "Estou valorizado", brincou o juiz Odilon de Oliveira. Ele recebeu um carro com blindagem para tiros de fuzil AR-15 e passou a andar escoltado. Para preservar a família, mudou-se para o quartel do Exército e, em seguida, para um hotel. Há duas semanas, decidiu transformar o prédio do Fórum Federal em casa: "No hotel, a escolta chamava muito a atenção e dava despesa para a Polícia Federal". É o único caso de juiz que vive confinado no Brasil, por enquanto. . A sala de despachos de Odilon de Oliveira virou quarto de dormir. No armário de madeira, antes abarrotado de processos, estão colchonete, roupas de cama e objetos de uso pessoal. O banheiro privativo ganhou chuveiro. A família (mulher, filho e duas filhas, que ia mudar para Ponta Porã, teve de continuar em Campo Grande). O juiz só vai para casa a cada 15 dias, com seguranças. Odilon de Oliveira teve de abrir mão dos restaurantes e almoça um marmitex, comprado em locais estratégicos, porque o juiz já foi ameaçado de envenenamento. O jantar é feito ali mesmo. Entre um processo e outro, toma um suco ou come uma fruta. Comenta o juiz: "Sozinho, não me arrisco a sair nem na calçada". Uma sala de audiências do fórum virou dormitório, com três beliches e televisão. Quando o juiz precisa cortar o cabelo, veste colete à prova de bala e sai com a escolta: "Estou aqui há um ano e nem conheço a cidade". Na última vez que foi a um shopping, foi abordado por um traficante. Os agentes tiveram de intervir. Azar do tráfico que o juiz tenha de ficar recluso. Acostumado a deitar cedo e levantar de madrugada, ele preenche o tempo com trabalho. De seu "bunker", auxiliado por funcionários que trabalham até alta noite, vai disparando sentenças. Como a que condenou o megatraficante Erineu Domingos Soligo, o Pingo, a 26 anos e 4 meses de reclusão, mais multa de R$ 285 mil e o confisco de R$ 2,4 milhões resultantes de lavagem de dinheiro, além da perda de duas fazendas, dois terrenos e todo o gado. Carlos Pavão Espíndola foi condenado a 10 anos de prisão e multa de R$28,6 mil. Os irmãos Leon e Laércio Araújo de Oliveira, condenados respectivamente a 21 anos de reclusão e multa de R$78,5 mil e 16 anos de reclusão, mais multa de R$56 mil, perderam três fazendas. O megatraficante Carlos Alberto da Silva Duro pegou 11 anos, multa de R$ 82,3 mil e perdeu R$ 733 mil, três terrenos e uma caminhonete. Aldo José Marques Brandão pegou 27 anos, mais multa de R$ 272 mil, e teve confiscados R$ 875 mil e uma fazenda. Doze réus foram extraditados do Paraguai a pedido do juiz, inclusive o "rei da soja" no país vizinho, Odacir Antonio Dametto, e Sandro Mendonça do Nascimento, braço direito do traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar. "As autoridades paraguaias passaram a colaborar porque estão vendo os criminosos serem condenados", comenta o juiz Odilon de Oliveira. Ele não se intimida com as ameaças e não se rende a apelos da família, que quer vê-lo longe desse barril de pólvora. Ele é titular de uma vara em Campo Grande e poderia ser transferido, mas acha "dever de ofício" enfrentar o narcotráfico: "Quem traz mais danos à sociedade é megatraficante. Não posso ignorar isso e prender só mulas, pequenos traficantes, em troca de dormir tranqüilo e andar sem segurança". Esse é um grande exemplo. O Brasil precisa de algumas dezenas de juízes como esse. E aí então seria reestabelecida a esperança. O Congresso Nacional deveria dar a maior medalha existente no Brasil para esse juiz.

Um comentário:

Kari disse...

Ô Samuel, como é que tu escreve uma coisa dessas, "nao sou um bom escritor. estou muito longe disso. muito mesmo!!! apenas vou expressar o que eu acho!!!"???

Que belo texto jornalístco foi esse em? Caramba!!! Eu dava a vida pra escrever assim...
Mas, quando ao conteúdo... Infelizmente muitos, como eu, sequer sabem da existência de tal juíz. E o Brasil, parece só valorizar aqueles que roubam e que são corrúptos... afff

beijo